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Volvo prevê virada histórica: elétricos devem custar menos que carros a combustão em 5 anos
Queda no preço das baterias e produção mais simples podem mudar o jogo do mercado automotivo

Entrar hoje em um carro elétrico ainda provoca aquela sensação mista de silêncio absoluto ao ligar o veículo e um leve aperto no estômago ao olhar o preço final. O ponto é que, segundo a Volvo, esse susto financeiro tem prazo para acabar. E não é longo. A marca sueca acredita que, em até cinco anos, os elétricos não só vão empatar como devem custar menos do que os carros a combustão.
Essa visão foi apresentada de forma direta pelo comando da montadora durante um encontro com a imprensa na Europa. A mensagem é clara: o avanço tecnológico está andando mais rápido do que muita gente imagina, especialmente quando o assunto são baterias e processos industriais.
O peso das baterias no preço final do carro elétrico
Hoje, quem define o valor de um elétrico não é o motor, nem o acabamento, nem a lista de equipamentos. O grande vilão — ou protagonista — é a bateria. Ela representa uma fatia enorme do custo total do veículo e explica por que modelos elétricos ainda aparecem com valores bem acima dos equivalentes a combustão.
O que muda esse cenário é a evolução das baterias LFP (fosfato de ferro-lítio). Diferentemente das baterias NMC, que usam níquel, manganês e cobalto, as LFP dependem de matérias-primas mais abundantes e baratas. Na prática, isso significa menos custo e menor exposição a variações de mercado desses metais.
Além disso, a autonomia deixou de ser um fantasma constante. Os elétricos modernos já entregam alcance suficiente para o uso diário e até para viagens médias, o que abre espaço para baterias menores e mais baratas sem comprometer a experiência do motorista.
Menos peças, menos complexidade, mais margem
Outro ponto que pesa — e muito — nessa equação é a simplicidade mecânica do carro elétrico. Um veículo a combustão carrega centenas de componentes: motor, câmbio complexo, sistema de escapamento, arrefecimento robusto, lubrificação e uma longa lista de itens que exigem engenharia, montagem e manutenção.
O elétrico corta boa parte disso. Menos peças móveis, menos etapas produtivas e linhas de montagem mais enxutas. Entretanto, essa vantagem ainda não aparece totalmente no lucro das montadoras. Hoje, os elétricos até são sustentáveis do ponto de vista ambiental, mas geram margens menores.
O cenário tende a virar conforme a produção ganha escala. Com fábricas mais eficientes e plataformas dedicadas, o custo por unidade cai, e o carro elétrico começa a fazer sentido não só para o consumidor, mas também para o caixa da indústria.
O impacto direto no mercado e no consumidor
Quando um elétrico custar menos que um carro a combustão, o debate muda completamente. A decisão deixa de ser ideológica ou tecnológica e passa a ser puramente racional. Menor custo de compra, manutenção mais barata e gasto reduzido com energia colocam o motor elétrico em vantagem clara.
Isso também pressiona concorrentes e acelera a transformação do mercado. Marcas que ainda apostam pesado em motores tradicionais terão que reagir rápido, seja eletrificando suas linhas, seja reduzindo custos de forma agressiva.
A estratégia da Volvo até 2030
A Volvo já deixou claro que pretende se tornar uma marca 100% elétrica até 2030. Essa transição, porém, não vem sem dor. Nos últimos balanços, a empresa sentiu o impacto dos altos investimentos em tecnologia, plataformas elétricas e adaptação industrial.
Ainda assim, a aposta é de longo prazo. A lógica é simples: quem dominar a tecnologia agora estará em posição confortável quando o preço dos elétricos cair de vez. Nesse cenário, modelos compactos e médios devem ser os primeiros a cruzar essa linha simbólica, tornando a eletrificação finalmente acessível para um público muito maior.
O ponto central é que a discussão não gira mais em torno de “se” os elétricos vão ficar mais baratos, mas de “quando”. Para a Volvo, esse momento está mais próximo do que o mercado imagina — e pode chegar antes do próximo ciclo completo de produtos da indústria automotiva.


