Connect with us

Noticias

Projeto de Lei propõe uso do FGTS para compra de veículos por motoristas de aplicativo

Published

on

uber fgts 1 Projeto de Lei propõe uso do FGTS para compra de veículos por motoristas de aplicativo

Em meio ao crescimento da economia compartilhada e da demanda por mobilidade urbana, o Projeto de Lei 2552/24 surge como uma oportunidade para que motoristas de aplicativo tenham acesso facilitado à compra de veículos. De autoria do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), a proposta visa liberar até 60% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para motoristas cadastrados em plataformas de transporte há, pelo menos, seis meses.

A iniciativa quer reduzir a dependência de veículos alugados, o que representa uma carga significativa no orçamento desses profissionais.

Condições para Utilização do FGTS

O projeto estabelece critérios rigorosos para o uso do FGTS com o intuito de garantir que o recurso seja destinado exclusivamente ao trabalho. Entre as principais exigências, destacam-se:

  • Cadastro no aplicativo há, no mínimo, seis meses;
  • Ausência de outro veículo em nome do motorista no momento da solicitação;
  • Prova de capacidade financeira para manutenção do veículo;
  • Uso exclusivo do carro para o transporte de passageiros via aplicativo.

Além disso, o motorista deverá comprovar, anualmente, que o veículo está sendo utilizado para atividades de transporte, sob pena de ser exigida a devolução do valor retirado do FGTS. Esses critérios, ainda sujeitos a revisão e regulamentação pelo conselho do FGTS, incluem mecanismos de fiscalização para evitar o uso indevido dos recursos.

[quads id=2]

Impacto no Setor e para os Motoristas

De acordo com estudos recentes, como o levantamento do StopClub, cerca de 27,3% dos motoristas de aplicativo das maiores cidades brasileiras dependem de veículos alugados para suas atividades. Essa dependência, segundo especialistas do setor, reduz significativamente a margem de lucro dos motoristas, uma vez que parte da remuneração é destinada ao pagamento do aluguel do veículo. Para Antônio Jorge Martins, coordenador de cursos automotivos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a medida poderá aliviar essa carga financeira.

[quads id=2]

“Para os motoristas, a possibilidade de usar o FGTS representa uma chance de aumentar a margem de lucro, reduzindo os custos fixos de aluguel,” ressalta Martins. “Essa alternativa pode ajudar muitos motoristas a equilibrar melhor suas finanças.”

Contudo, Martins também pondera que o uso do FGTS pode aumentar o endividamento dos profissionais caso o saldo não cubra o valor total do veículo, o que poderia levar motoristas a financiarem a diferença com recursos próprios ou empréstimos.

Perspectiva para o Mercado Automotivo

Se aprovado, o projeto pode impactar diretamente o mercado automotivo, aumentando a demanda por veículos novos e usados. Esse crescimento pode incentivar as montadoras a incorporar mais tecnologias em modelos acessíveis, uma vez que o perfil dos motoristas de aplicativo tende a priorizar veículos eficientes e duráveis. Com a elevação na escala de produção, os custos de tecnologias avançadas podem se tornar mais acessíveis, promovendo uma frota mais tecnológica no segmento.

[quads id=2]

“As montadoras devem ver nessa demanda uma oportunidade para ajustar seus portfólios, tornando veículos com mais recursos tecnológicos disponíveis a preços mais competitivos,” observa Martins. “Isso pode ser um incentivo para que o Brasil acompanhe tendências globais no desenvolvimento automotivo.”

As montadoras chinesas, por exemplo, que operam em alta escala, servem de referência nesse contexto, oferecendo veículos equipados a preços mais baixos. A expectativa é que, com o aumento da demanda impulsionado por essa medida, o Brasil possa também aumentar sua competitividade, estimulando a introdução de tecnologias avançadas na frota nacional.

[quads id=2]

Próximos Passos para a Aprovação

O Projeto de Lei 2552/24 ainda enfrenta um longo caminho antes de ser implementado. Em tramitação nas comissões de Trabalho, Finanças e Tributação, além de Constituição e Justiça, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal antes de seguir para sanção presidencial. Embora a tramitação possa demorar, o projeto já desperta debates entre legisladores, motoristas e especialistas do setor automotivo.