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Honda ZR-V abandona o motor turbo no Japão e aposta tudo no híbrido e:HEV

SUV médio passa por reestilização, enxuga a gama para três versões e agora é vendido exclusivamente com o sistema híbrido de 184 cv no mercado japonês — mudança que pode antecipar o futuro do modelo no Brasil

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Imagine pagar por um SUV médio e descobrir, pouco depois, que a montadora reformulou completamente a estratégia do modelo. Não é exagero: foi exatamente isso que aconteceu com o Honda ZR-V no Japão. A marca reestilizou o carro, simplificou a gama e cortou de vez o motor a gasolina convencional. A partir de agora, quem quiser um ZR-V por lá vai ter uma única opção de motorização — e ela é híbrida.

A decisão não veio do nada. O ZR-V somou cerca de 20.380 unidades vendidas no Japão em 2025, praticamente a metade do volume registrado no ano anterior. Quando as vendas caem pela metade em um único ciclo, qualquer fabricante precisa agir — e a Honda escolheu agir com convicção, apostando na eletrificação como resposta.

Fim do 1.5 turbo: o que muda sob o capô

O motor que sai de cena no mercado japonês é o 1.5 turbo a gasolina de 178 cv, que operava com câmbio CVT. No lugar, permanece exclusivamente o sistema e:HEV, tecnologia que o brasileiro já conhece bem em outros modelos da marca — está presente no Civic e no Accord vendidos por aqui.

O conjunto funciona de forma bastante inteligente. Um motor 2.0 aspirado em ciclo Atkinson atua em conjunto com dois motores elétricos: um responsável pela tração e outro dedicado à geração de energia. A potência combinada chega a 184 cv, e o sistema privilegia a eficiência acima de tudo. Na maior parte do tempo em velocidades baixas e médias, quem move o carro é o motor elétrico — o motor a combustão entra em cena principalmente como gerador ou para auxiliar em acelerações mais exigentes.

Na prática, isso significa que o ZR-V híbrido tem um comportamento muito mais suave e silencioso no dia a dia urbano, com o motor a gasolina aparecendo discretamente quando realmente necessário. Para o mercado japonês, onde as cidades são densas e o trânsito é carregado, faz todo sentido. Para o condutor, a experiência é visivelmente diferente de um SUV convencional.

No Japão, o modelo estará disponível com tração dianteira ou integral, ampliando o apelo para quem busca mais segurança em condições adversas ou terrenos variados.

Três versões no lugar de seis: a gama enxugada

Além da mudança mecânica, a linha ZR-V japonesa passou por uma simplificação considerável. As seis versões anteriores foram substituídas por apenas três configurações — todas híbridas, todas com o e:HEV como base.

O que chama atenção mesmo é o nível de equipamentos já na configuração de entrada. Rodas de liga leve aro 18″, central multimídia de 9 polegadas com serviços Google integrados, painel digital de 10,2″, bancos e volante aquecidos, ar-condicionado automático, câmeras 360° e o pacote de assistências Honda Sensing já fazem parte do equipamento padrão. Não é uma lista enxuta para uma versão básica — é um conjunto que muitas versões intermediárias de rivais não entregam.

As outras duas configurações elevam o apelo visual e a personalização. A série Black Style aposta em grade com acabamento escurecido e visual mais agressivo, enquanto a inédita Cross Touring surge com um apelo mais aventureiro: para-choque exclusivo, detalhes prateados e uma proposta visual que se aproxima de SUVs com vocação mais off-road. Não é uma mudança trivial — a Cross Touring representa um novo posicionamento dentro da própria gama, com cara de modelo para quem quer sair do asfalto de vez em quando.

O ZR-V no Brasil: o que temos hoje

Aqui no Brasil, o ZR-V segue um caminho diferente por enquanto. O modelo é importado do México e comercializado em versão única, a Touring, com preço tabelado em R$ 215.100. A motorização é um motor 2.0 aspirado de 161 cv e 19,1 kgfm, acoplado a câmbio CVT — sem eletrificação, sem turbo, sem variações de configuração.

É um carro bem equipado e com acabamento acima da média do segmento, mas que enfrenta uma concorrência crescente. O segmento dos SUVs médios híbridos começa a ganhar força no país, e a versão a gasolina do ZR-V pode parecer cada vez mais datada conforme os rivais eletrificados avançam nas listas de equipamentos e nos argumentos de consumo.

O ponto é que vender um único modelo, com motor apenas a combustão, em um segmento que caminha para a eletrificação é uma posição que exige atenção. Por ora, a Honda não confirmou nenhuma mudança para o mercado brasileiro — mas o movimento no Japão é um sinal difícil de ignorar.

O que a mudança japonesa indica para o futuro

Quando uma montadora retira uma opção de motorização do seu mercado de origem, isso raramente fica restrito a um único país. A decisão da Honda de tornar o ZR-V exclusivamente híbrido no Japão funciona como termômetro claro de onde a empresa quer posicionar o modelo globalmente.

Se a estratégia se consolidar como padrão para outros mercados, a América Latina deverá seguir esse caminho no médio prazo. A adoção do e:HEV por aqui traria ganhos diretos em consumo e emissões, além de justificar um reposicionamento de preço e imagem do produto — aproximando o ZR-V de uma proposta mais sofisticada e eficiente dentro do segmento.

O sistema e:HEV já provou seu valor no Brasil com o Civic e o Accord. Quem já dirigiu qualquer um dos dois sabe que a transição entre elétrico e combustão é praticamente imperceptível, o consumo em cidade é notavelmente melhor do que o de um SUV convencional e a suavidade de condução é um diferencial real no dia a dia. Transportar essa experiência para o ZR-V faria o carro ganhar um argumento de venda muito mais forte do que tem hoje.

A versão apenas a gasolina pode, de fato, estar com os dias contados — não só no Japão. O ritmo dessa mudança vai depender de fatores logísticos, tributários e de demanda local, mas a direção já está traçada. E a Honda raramente muda de rota quando decide seguir por um caminho.