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Creta N Line 2027 chega ao topo da linha com motor 1.6 Turbo Flex e rodas diamantadas de 18″
Hyundai reorganiza a hierarquia do SUV mais popular do Brasil, e a versão esportiva assume o posto mais alto da família com nova motorização bicombustível e tecnologia de condução adaptativa
Imagina chegar na concessionária decidido a levar o Creta mais equipado e descobrir que o modelo mudou de nome, de motor e de posição na hierarquia. É exatamente essa a situação que os interessados no Hyundai Creta 2027 vão encontrar — e há mais por trás dessa mudança do que parece à primeira vista.
A Hyundai promoveu uma reorganização significativa na família do SUV compacto mais vendido do Brasil. A grande novidade é a chegada do motor 1.6 Turbo Flex na versão N Line, que passa a ocupar o posto de topo de gama na linha 2027. Quem conhecia o modelo sabe que, até então, esse papel cabia à configuração Ultimate. Agora, a Ultimate desce um degrau na hierarquia, mantém seus equipamentos e recebe o mesmo motor 1.6, que foi atualizado para trabalhar com etanol também.
O que mudou na prática com o 1.6 Turbo Flex
O ponto que mais chama atenção nessa transição é a redução na potência máxima. O Creta N Line 1.6 Turbo Flex entrega 176 cv com gasolina — quase 20 cavalos a menos do que os 193 cv que a versão anterior, movida apenas a gasolina, colocava na estrada. Com etanol, o número cai um pouco mais, para 173 cv.
Na prática, isso significa que… o SUV perdeu força no papel. Mas a Hyundai tem um argumento técnico razoável para defender a mudança: o torque máximo de 27 kgfm permanece inalterado, independentemente do combustível. E o que vale no trânsito do dia a dia não é a potência de pico — é onde esse torque aparece.
O torque completo chega já a partir de 1.500 rpm, e até as 4.500 rotações — a faixa que cobre praticamente todo o uso urbano e boa parte das rodovias — a oferta de força é a mesma da versão anterior. Na prática, nas ultrapassagens, nas entradas de via expressa e nos arranques do semáforo, o comportamento do motor não muda de forma perceptível para o motorista comum.
O “pulo do gato” aqui é justamente esse: a Hyundai calibrou o motor para que a perda de potência fique concentrada nas rotações mais altas, onde poucos motoristas chegam no uso cotidiano. É uma solução inteligente para cumprir exigências fiscais sem sacrificar a experiência real de condução.
Por que o motor perdeu cavalos — e quem tem culpa nisso
A resposta está no programa federal Mover — o programa nacional de Mobilidade Verde e Inovação — que estabelece alíquotas de IPI conforme a faixa de potência dos veículos. Para se enquadrar em uma faixa tributária mais favorável e, ao mesmo tempo, atender às exigências de eficiência energética e menores emissões do programa, a Hyundai recalibrou o 1.6 Turbo para operar dentro dos novos limites.
Não é a primeira montadora a fazer esse tipo de ajuste, e provavelmente não será a última. O etanol brasileiro, historicamente, eleva a potência dos motores — mas, nesse caso, a engenharia foi orientada para a eficiência e o enquadramento regulatório, não para extrair o máximo da mistura.
N Line: visual esportivo agora com conteúdo de topo
Além do novo motor, a versão N Line 2027 chega com rodas diamantadas exclusivas de 18″ — um detalhe visual que eleva o caráter esportivo do modelo sem exagerar. As rodas diamantadas têm aquele acabamento que capta a luz de forma diferente das convencionais, e num SUV de linha esportiva como esse, funcionam bem com o conjunto.
O que chama atenção mesmo é a inclusão do modo de direção Smart, uma novidade exclusiva dessa configuração. A função lê o estilo de condução do motorista em tempo real e ajusta automaticamente a combinação entre potência e consumo ao longo do trajeto. Os modos Sport, Eco e Normal continuam disponíveis para quem prefere escolher manualmente — mas o Smart é para quem quer praticidade sem abrir mão da eficiência.
A família Creta 2027 reorganizada
Com a chegada do N Line ao topo, a hierarquia do Creta 2027 ficou assim:
A versão de entrada Comfort parte de R$ 156.590 com o motor 1.0 TGDI, que entrega 120 cv — suficiente para o uso urbano, mas sem muito fôlego extra nas estradas. A Limited, por R$ 173.390, sobe no conteúdo sem mudar a motorização. A Platinum, em R$ 188.990, fecha o ciclo do 1.0 e, como novidade desta linha, passa a contar com faróis e setas indicadoras em LED na dianteira — um item que deveria já estar nas versões anteriores dado o preço praticado.
A partir daqui, entra o 1.6. A Ultimate, posicionada em R$ 201.590, mantém seu pacote completo de equipamentos com o motor atualizado para Flex. E no topo, a N Line por R$ 206.990 fecha a linha com a versão mais equipada, mais esportiva e, agora, também com a motorização mais completa da família.
A diferença de R$ 5.400 entre a Ultimate e a N Line é pequena o suficiente para fazer sentido — especialmente quando se considera que a N Line entrega rodas exclusivas, o modo Smart e o visual diferenciado com detalhes escurecidos que caracterizam o acabamento esportivo da linha.
Vale o investimento frente aos rivais?
O Creta segue sendo o SUV compacto de maior volume de vendas no Brasil, e essa posição não é por acaso. O conjunto de espaço interno, tecnologia de bordo, qualidade de acabamento e histórico de valorização no mercado usado forma um pacote difícil de ignorar.
Os rivais diretos na faixa de preço do Creta N Line — como o Volkswagen T-Cross nas versões topo, o Jeep Compass de entrada e o Toyota Corolla Cross — têm cada um seus argumentos. O Compass entrega maior percepção de robustez e apelo de marca off-road. O Corolla Cross aposta na confiabilidade histórica da Toyota. Mas nenhum deles entrega o mesmo nível de tecnologia e conteúdo pelo preço que o Creta pratica nessa faixa.
O ponto é que, para quem busca um SUV compacto completo, com motor flex de boa entrega de torque, tecnologia embarcada atual e design que não passa em branco, o Creta N Line 2027 faz sentido. A perda de potência máxima é real, mas fica restrita a um uso que a maioria dos motoristas nunca vai demandar no cotidiano.