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China obriga volta dos botões físicos nos carros e muda rumo da indústria automotiva global

Nova regra mira excesso de telas digitais, reforça segurança ao volante e impõe limites mais rígidos à condução automatizada

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Entrar em um carro novo hoje muitas vezes parece mais próximo de ligar um tablet gigante do que assumir o volante. Telas enormes, menus escondidos e comandos digitais substituíram quase tudo — inclusive funções básicas que antes eram acionadas sem pensar. O problema é que, na prática, dirigir não combina com distração.

Foi justamente esse limite que a China decidiu impor. O país, que liderou a corrida pela digitalização total dos interiores automotivos, agora dá um passo na direção oposta ao criar regras que obrigam o retorno de botões físicos para funções críticas de segurança. A mudança não é apenas estética; ela redefine como os carros deverão ser projetados nos próximos anos.

Aliás, o impacto vai muito além do mercado chinês. Como grande parte dos veículos elétricos e tecnológicos nasce ali, a decisão tende a influenciar projetos globais — inclusive modelos vendidos no Brasil.

Quando o minimalismo começa a atrapalhar

Durante a última década, fabricantes passaram a perseguir interiores cada vez mais limpos. A ideia parecia simples: menos botões, mais telas e uma aparência futurista. O resultado visual agradou, mas a experiência real de uso começou a gerar críticas.

Na prática, tarefas simples passaram a exigir atenção excessiva. Ajustar ventilação, ativar o pisca-alerta, mudar seletores de marcha ou acessar chamadas de emergência muitas vezes exigia navegar por menus digitais. O motorista precisava tirar os olhos da estrada por segundos preciosos.

A nova proposta do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação chinês surge exatamente para corrigir esse cenário. A regulamentação determina que funções essenciais tenham controles físicos dedicados, facilmente identificáveis e acionáveis sem esforço visual.

Os novos padrões estabelecem inclusive dimensões mínimas: cada botão deverá ter pelo menos 10 mm por 10 mm, garantindo acionamento rápido e intuitivo.

O ponto é simples: segurança não pode depender de interface touchscreen.

O que muda dentro dos carros a partir de agora

A regra atinge diretamente o coração do design automotivo moderno. Elementos que vinham desaparecendo precisarão retornar ao painel.

Entre os comandos que passam a exigir presença física estão:

  • luzes de direção
  • pisca-alerta
  • seletores de marcha
  • sistemas de chamada emergencial
  • funções críticas relacionadas à condução

O objetivo é reduzir o tempo de reação do motorista e evitar distrações causadas por interfaces digitais complexas. Assim, o conceito de cabine totalmente limpa perde força, dando espaço a uma nova fase: a da ergonomia equilibrada.

O que chama atenção mesmo é que essa mudança não acontece isoladamente. O país já havia proibido soluções consideradas arriscadas em acidentes, como volantes em formato de manche e maçanetas retráteis ocultas, que poderiam dificultar resgates ou comprometer o funcionamento de sistemas de segurança.

A crítica global às telas gigantes finalmente ganha força

Embora a decisão venha da China, o debate já vinha crescendo em outros mercados. Na Europa, órgãos reguladores e consumidores passaram a questionar o excesso de digitalização nos veículos.

A discussão deixou de ser estética e virou funcional. Afinal, um interior minimalista pode parecer moderno, mas perde valor quando exige múltiplos toques para executar ações urgentes.

Na prática, o excesso de telas cria um paradoxo: carros tecnologicamente avançados acabam exigindo mais atenção do motorista — justamente o oposto do que a evolução deveria proporcionar.

Assim, a nova regulamentação marca uma mudança de mentalidade: tecnologia precisa facilitar a condução, não competir com ela.

Condução automatizada também entra na mira

A atualização das regras não se limita aos comandos físicos. O pacote regulatório também endurece exigências para sistemas de condução autônoma Nível 3 e Nível 4, áreas nas quais fabricantes chinesas avançaram rapidamente.

Agora, as montadoras terão que provar, por meio de relatórios técnicos, que o comportamento dos sistemas automatizados alcança nível equivalente ao de um motorista humano atento.

Caso ocorra falha do sistema ou ausência de resposta do condutor, o veículo deverá executar sozinho uma estratégia de risco mínimo, reduzindo velocidade e estacionando de forma segura.

Entretanto, há uma novidade ainda mais significativa: a regulamentação formaliza a possibilidade de assistência remota, permitindo que operadores humanos assumam o controle do veículo à distância em situações críticas.

Na prática, isso cria uma camada extra de segurança para carros altamente automatizados — algo que até então permanecia mais no campo experimental.

O impacto direto nos carros elétricos e nas marcas chinesas

Curiosamente, as fabricantes mais afetadas serão justamente aquelas que lideraram a tendência das cabines sem botões. Muitas marcas chinesas transformaram telas centrais em praticamente o único ponto de controle do veículo.

Modelos elétricos recentes apostaram em interfaces digitais extensas, com poucos comandos físicos visíveis. Agora, esses projetos precisarão ser revisados.

Isso não significa abandonar a tecnologia. Pelo contrário. O movimento indica uma nova fase de maturidade do setor: integração entre digital e físico.

Assim, o futuro dos interiores automotivos tende a buscar equilíbrio — telas continuam presentes, mas dividindo espaço com comandos táteis para funções críticas.

Um novo capítulo para a ergonomia automotiva

A decisão chinesa pode marcar o início de uma mudança global silenciosa. Durante anos, a indústria perseguiu o conceito de carro como extensão do smartphone. Agora, surge uma percepção diferente: dirigir exige respostas rápidas, intuitivas e quase instintivas.

Botões físicos não representam retrocesso tecnológico. Eles funcionam como atalhos cognitivos, permitindo que o motorista execute ações sem pensar — algo essencial em situações de risco.

O que começa como uma regulamentação nacional pode redefinir o padrão mundial de design automotivo nos próximos anos. E, ironicamente, o futuro dos carros ultratecnológicos pode incluir justamente aquilo que parecia destinado à extinção: controles simples, diretos e feitos para serem usados sem tirar os olhos da estrada.