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Cavallino Classic 35 Anos: o encontro que transformou a Flórida na capital mundial da Ferrari
Com recorde de participação, leilão milionário e uma nova classe especial, a edição comemorativa do evento mais importante do calendário Ferrari provou que paixão por cavallino rampante não tem prazo de validade.
Tem eventos que existem para vender carro. E tem eventos que existem para celebrar o que o carro representa. O Cavallino Classic claramente pertence ao segundo grupo — e sua 35ª edição, realizada no resort The Boca Raton, no sul da Flórida, deixou isso mais claro do que nunca.
Três dias. Mais de 300 Ferraris reunidas em um único lugar. Máquinas que vão de protótipos de corrida dos anos 1940 até supercarros que definiram o imaginário dos anos 1980 e 1990. Se existe algum lugar no mundo onde o tempo desacelera para deixar passar um V12 com escape aberto, foi ali, entre 23 e 26 de janeiro de 2025.
O número de carros inscritos bateu recorde na história do evento — e isso, por si só, já diz muito sobre o momento pelo qual passa o mercado de Ferraris históricas. Colecionadores, entusiastas e investidores de todo o mundo convergiram para a Flórida com máquinas impecáveis, muitas delas raramente vistas fora de museus particulares.
O Concorso d’Eleganza e os grandes vencedores
O ponto alto de qualquer edição do Cavallino é o Concorso d’Eleganza, a competição de julgamento que premia os exemplares mais relevantes em termos de originalidade, estado de conservação e importância histórica. Neste ano, dois carros se destacaram acima de todos os outros.
O título de Best of Show Gran Turismo foi para uma Ferrari 410 Superamerica de 1956, chassi #0475 SA. Um carro que, em qualquer outra reunião, já seria o mais fotografado do estacionamento. A 410 Superamerica foi o topo de linha da Ferrari no final dos anos 1950 — produzida em pouquíssimas unidades, com carrocerias encomendadas às principais casas italianas da época, era o carro dos xeiques, industriais e reis. Encontrar uma dessas em condição de concurso é algo que acontece raramente.
Já o Best of Show Competizione ficou com uma máquina ainda mais antiga e mais rara: a Ferrari 166 MM Berlinetta de 1948, chassi #02C/020 I. A 166 MM — onde MM significa Mille Miglia — é um dos pilares da história da marca. Foi com esse modelo que a Ferrari começou a construir sua lenda nas estradas de competição europeias. Ver um exemplar desta geração preservado e funcionando é, no mínimo, perturbador para qualquer apreciador da marca.
A Ferrari 250 GTO de 1962, chassi #4153 GT, levou o prêmio máximo dentro da família 250 — um grupo de modelos que, por si só, já justificaria um evento inteiro. O ponto é que a 250 GTO é, há décadas, considerada o carro mais valioso do mundo em leilões, com exemplares que ultrapassam a casa dos US$ 70 milhões. Vê-la competindo em um concurso de elegância, e não trancada em um cofre climático, é exatamente o espírito que o Cavallino defende.
Entre os supercarros V8, quem levou o troféu foi a Ferrari F40 de 1989 — o último carro pessoalmente aprovado por Enzo Ferrari antes de sua morte, e ainda hoje um dos designs mais honestos e emocionantes que Maranello já produziu. Sem computadores de bordo, sem assistentes eletrônicos, sem luxo desnecessário. Só motor biturbo de 478 cv, fibra de carbono e o barulho mais assustador que um carro de rua pode fazer.
Ao todo, mais de 80 troféus Platinum foram distribuídos, reconhecendo excelência em restauração, autenticidade e contexto histórico.
A Legacy Class: 35 anos em uma única fila
Uma das novidades mais bem-vindas desta edição foi a criação da Legacy Class — uma categoria especial reunindo antigos vencedores do Best of Show das 35 edições anteriores do evento. A ideia é simples e poderosa: criar uma linha do tempo viva da história do Cavallino, onde cada carro representa um capítulo diferente.
Na prática, isso significou ver lado a lado máquinas que venceram o concurso em décadas diferentes, cada uma representando um estilo, uma era e uma filosofia de Maranello. Para quem entende o que está olhando, a Legacy Class é uma aula de história da engenharia italiana em formato de exposição a céu aberto.
Ferrari 849 Testarossa: o passado que inspira o futuro
O evento também serviu de palco para o lançamento regional da nova Ferrari 849 Testarossa, reacendendo uma das nomenclaturas mais carregadas de simbolismo na história da marca. O nome Testarossa — cabeça vermelha, em referência às tampas de válvulas pintadas de vermelho do motor — voltou a circular oficialmente, e a escolha do Cavallino Classic para fazer essa apresentação não foi por acaso.
A conexão entre a Testarossa original dos anos 1980 e o novo modelo é proposital. A Ferrari sabe que nomes carregam peso emocional, e poucos carregam tanto quanto esse. O lançamento no contexto do Cavallino foi uma declaração de intenções: esse carro nasce com consciência histórica.
O leilão que movimentou milhões
Outra estreia marcante da edição de 2025 foi o Cavallino Auction, organizado em parceria com a RM Sotheby’s, uma das casas de leilão mais respeitadas do mercado de automóveis clássicos. O resultado foi expressivo.
O lote de maior destaque foi uma LaFerrari, o hipercarro híbrido produzido a partir de 2013 em apenas 499 unidades — mais sete versões Aperta —, que foi arrematada por US$ 5,23 milhões. O valor confirma o que o mercado de colecionáveis já sinaliza há alguns anos: Ferraris de edição limitada continuam sendo um dos ativos mais valorizados entre os carros de coleção, especialmente quando estão em baixíssima quilometragem e com documentação original completa.
A criação de um leilão próprio dentro do evento é um movimento estratégico relevante. O Cavallino deixa de ser apenas um concurso de elegância e passa a operar como um ecossistema completo para o colecionador de Ferrari: exposição, julgamento, networking e transação comercial no mesmo endereço.
Nas estradas e no Mar-a-Lago
Além da exposição estática no resort, a programação incluiu o Tour d’Eleganza, o tradicional passeio pelas estradas do sul da Flórida que coloca os participantes atrás do volante de suas máquinas históricas — porque carro bom é carro que roda. O som de motores italianos ecoando pelas palmeiras de Palm Beach é parte integrante da experiência que o evento oferece.
O encerramento aconteceu no Classic & Sports Sunday, realizado no Mar-a-Lago Club, com um ambiente mais intimista e voltado para a confraternização entre colecionadores.
35 anos e os próximos capítulos
“O evento nasceu com o objetivo de celebrar a Ferrari como expressão de arte, engenharia e emoção”, segundo a organização do Cavallino — e 35 anos depois, esse espírito segue intacto, só que em escala muito maior.
A edição de 2027 já está confirmada no mesmo local, no The Boca Raton. Mas o Cavallino não pretende ficar restrito à Flórida. Edições internacionais estão planejadas para Mônaco, Modena e o Oriente Médio ainda em 2026, o que transforma o evento em uma franquia global dedicada ao universo Ferrari.
Modena é especialmente simbólica. Levar o Cavallino para a cidade onde a Ferrari nasceu, a poucos quilômetros de Maranello, é quase um gesto de reverência — como se o evento voltasse às origens para celebrar o que ajudou a preservar ao longo de mais de três décadas.
Subaru Crosstrek: o SUV mais confiável dos EUA segundo a J.D. Power
Em paralelo ao mundo dos supercarros italianos, uma notícia bem mais pragmática agitou o mercado americano: o Subaru Crosstrek foi eleito o SUV compacto mais confiável dos Estados Unidos no estudo Vehicle Dependability Study 2026, da J.D. Power — agora em sua 37ª edição.
O reconhecimento tem peso. O estudo avalia mais de 180 áreas potenciais de problemas, cobrindo desde a tecnologia embarcada e a experiência do usuário até a motorização e a qualidade geral de construção do veículo. Não é um prêmio de popularidade — é uma análise técnica baseada em relatos de proprietários reais após três anos de uso.
O que chama atenção mesmo é que essa não é a primeira vez. O Crosstrek também liderou, pelo terceiro ano consecutivo, o ALG Residual Value Award entre os SUVs compactos — o prêmio que mede quanto valor o carro mantém ao longo do tempo. Na prática, isso significa que comprar um Crosstrek é, historicamente, um dos negócios mais inteligentes nesse segmento: o carro deprecia pouco, quebra menos e custa menos para manter.
Os números da Experian reforçam esse argumento de forma contundente: 97% de todos os Crosstreks vendidos nos últimos dez anos ainda estão em circulação. É um dado extraordinário para qualquer categoria, mas especialmente para um SUV compacto usado no dia a dia americano, com suas estradas, climas extremos e quilometragens elevadas.
Para 2026, o modelo chega com novidade técnica relevante: uma versão híbrida que combina o clássico motor BOXER 2.5 litros em ciclo Atkinson/Miller com motores elétricos e bateria de alta capacidade, entregando 194 cv combinados. O conjunto mantém a tração integral Symmetrical AWD e o sistema X-Mode com controle de descida em terrenos irregulares — características que sempre diferenciaram o Crosstrek dentro de sua categoria.
Com preço inicial de US$ 26.995 nos Estados Unidos, o modelo segue posicionado como uma das propostas mais equilibradas entre custo, tecnologia e robustez no segmento dos SUVs compactos. Para quem prioriza longevidade e valor de revenda, o Crosstrek 2026 é um argumento difícil de ignorar.