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BYD dispara 324% em vendas diretas e mira microempresários com elétricos fabricados no Brasil
Montadora chinesa vira a chave na estratégia comercial, conquista pequenos negócios com eficiência energética e entra, pela primeira vez, no grupo das cinco maiores do país
Quem acompanha o mercado automotivo brasileiro sabe que virar de vez as grandes posições no ranking de emplacamentos não é tarefa simples. Montadoras históricas levaram décadas para consolidar seus nomes entre as cinco maiores do país. A BYD fez isso em 2025, e fez com uma velocidade que poucos previram.
O ponto central dessa virada não foi apenas o lançamento de novos modelos ou uma campanha de marketing agressiva. Foi uma decisão estratégica mais silenciosa e muito mais cirúrgica: chegar diretamente ao microempresário brasileiro com uma proposta difícil de ignorar.
De 1.268 para 5.378 em quatro meses
Os números falam por si. Em agosto de 2025, a BYD registrava 1.268 unidades emplacadas no canal de vendas diretas para pequenos negócios. Em dezembro do mesmo ano, esse volume saltou para 5.378 unidades — um crescimento de 324% em apenas quatro meses.
Esse resultado não veio do acaso. Em outubro de 2025, a montadora implementou uma nova política nacional de vendas diretas, estruturada especificamente para atender um perfil de comprador que o mercado tradicional costuma ignorar ou atender mal: o dono de pequeno negócio, o taxista, o produtor rural, a pessoa com deficiência.
A mudança foi imediata nos emplacamentos. A participação das vendas diretas no total da companhia passou de 10% para 30% no fim de 2025. A projeção para 2026 é ainda mais ousada: que esse canal represente metade de todas as vendas da marca, equilibrando a balança com o varejo convencional.
O papel da fábrica de Camaçari
Não é coincidência que os modelos que mais puxaram esse crescimento sejam exatamente aqueles produzidos na fábrica de Camaçari, na Bahia. O Dolphin Mini GL, o King GL e o Song Pro GL — as versões dedicadas ao canal de vendas diretas — somaram juntos quase 4 mil emplacamentos só em dezembro de 2025.
Produzir localmente tem um peso real nessa conta. Além de benefícios fiscais que impactam diretamente no preço final ao comprador, a produção nacional confere à BYD mais agilidade na entrega e maior capacidade de personalizar a oferta para o mercado brasileiro. O que chama atenção mesmo é que a montadora não apenas trouxe modelos do portfólio global e adaptou documentações — ela estruturou versões específicas para atender cada segmento do canal direto.
Por que o microempresário está trocando a gasolina pela tomada
A lógica do microempresário é direta: custo operacional menor significa margem maior. E é exatamente essa equação que a BYD soube apresentar de forma clara.
Um veículo híbrido ou elétrico para uso profissional — seja para transporte de passageiros, deslocamentos de vendas ou trabalho no campo — representa uma redução significativa nos gastos com combustível. Na prática, isso significa que um taxista que rodava 4 mil quilômetros por mês com gasolina começa a ver o retorno do investimento no próprio carro ao longo de poucos anos de operação.
A montadora identificou uma demanda reprimida por eletrificação entre os pequenos negócios — um público que queria acesso à tecnologia elétrica, mas que historicamente encontrava barreiras de preço ou falta de opções adequadas ao seu perfil. Com versões GL criadas justamente para essa fatia, a BYD preencheu um espaço que outros fabricantes ainda não haviam ocupado com a mesma clareza.
Song Pro GL: o queridinho dos pequenos negócios
Entre os modelos que integram a estratégia de vendas diretas, o BYD Song Pro GL merece atenção especial. O SUV de porte médio chega com tração traseira e motorização híbrida, combinando um motor de combustão com um elétrico para oferecer eficiência no uso urbano e fôlego extra nas estradas.
O interior do Song Pro é funcional sem abrir mão de um acabamento compatível com sua faixa de preço. O couro do volante tem textura firme, os comandos estão bem posicionados e a central multimídia responsiva poupa tempo no dia a dia de quem está sempre em movimento. A câmera de ré e os sensores de estacionamento são itens de série, algo que o comprador profissional valoriza — afinal, estacionar em área urbana com frequência cansa qualquer um.
O ponto é que o Song Pro GL não entrega apenas tecnologia: entrega praticidade para quem precisa que o carro trabalhe junto, não apenas rodar bem no fim de semana.
Dolphin Mini GL e King GL: compactos com propósito
O Dolphin Mini GL ocupa o posto de modelo mais acessível da estratégia de vendas diretas. Compacto, 100% elétrico e com autonomia suficiente para a rotina urbana, ele se encaixa bem no perfil de microempresários que circulam dentro das cidades e precisam de um veículo econômico, fácil de estacionar e com custo de manutenção reduzido.
Já o King GL traz uma proposta diferente: é o modelo voltado para quem precisa de mais espaço, capacidade de carga ou conforto em viagens mais longas. A configuração híbrida do King GL une autonomia estendida com consumo mais equilibrado, o que o torna uma opção interessante para produtores rurais e profissionais que alternam rotas urbanas com estradas.
111.683 unidades e a entrada no top 5
O desempenho geral da BYD em 2025 não deixa dúvida sobre a consistência da estratégia. A montadora fechou o ano com 111.683 unidades vendidas, frente às 17.937 de 2023 — um salto de 522% em dois anos.
Em dezembro, com 15.658 emplacamentos, a marca entrou pela primeira vez entre as cinco maiores montadoras do país. Um número que, há três anos, poucos especialistas do setor ousariam colocar num cenário otimista para a marca chinesa.
A consolidação desse patamar depende agora de manter o ritmo no canal direto e ampliar a capilaridade da rede de assistência técnica — um ponto que ainda representa um desafio para quem compra um veículo elétrico fora dos grandes centros urbanos.
Para quem é essa estratégia
A política de vendas diretas da BYD no Brasil, batizada internamente de Small Business, é estruturada para atender quatro perfis principais: pequenos e microempresários com CNPJ, taxistas, produtores rurais e pessoas com deficiência (PCD/PNE).
Cada um desses públicos tem necessidades distintas, mas todos convergem para um mesmo ponto: precisam de um veículo que trabalhe tanto quanto eles, com o menor custo possível por quilômetro rodado. A eletrificação, nesse contexto, deixa de ser um argumento de sustentabilidade para se tornar uma decisão financeira objetiva.
O mercado automotivo brasileiro já assistiu a diversas montadoras tentarem conquistar o comprador profissional. A diferença, desta vez, é que a BYD chegou com produto nacional, preço competitivo e uma estrutura de canal pensada especificamente para esse comprador — e os números de 2025 mostram que a aposta está funcionando.