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Blindagem automotiva no Brasil terá novas regras em 2026; mudança pode alterar projetos e custos dos veículos protegidos

Proposta aprovada na Câmara redefine padrões de segurança, restringe tetos solares blindados e cria novas exigências técnicas para manutenção e identificação da proteção balística

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Quem circula diariamente em grandes centros já percebeu: a blindagem automotiva deixou de ser um item restrito a executivos e autoridades. Hoje, ela virou uma decisão prática de segurança para famílias, profissionais liberais e até motoristas de uso cotidiano. O problema é que a legislação brasileira não acompanhou, no mesmo ritmo, a evolução técnica dos sistemas de proteção balística.

Agora, isso pode começar a mudar. Um novo projeto aprovado pela Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados propõe uma atualização profunda nas regras da blindagem de veículos no Brasil, mirando justamente pontos que, segundo o texto, ainda apresentam brechas estruturais e operacionais.

Na prática, o que está em discussão não é apenas burocracia. O impacto pode atingir diretamente o modo como carros blindados são projetados, reparados e até comercializados nos próximos anos.

Teto solar blindado entra no centro das mudanças

Um dos pontos que mais chamam atenção na proposta envolve os veículos equipados com teto solar. Atualmente, muitos modelos blindados mantêm o mecanismo original de abertura, adaptado com camadas balísticas. O novo texto segue outro caminho.

A proposta determina que a blindagem do teto deverá ser feita com uma peça única, fixa e sem qualquer sistema de abertura ou deslizamento. Na prática, isso significa o fim do teto solar funcional em carros blindados caso a regra seja aprovada definitivamente.

O motivo é técnico. Estruturas móveis criam áreas de transição entre materiais, o que pode gerar fragilidades em situações extremas. Assim, o nível de proteção balística do teto passaria a ser equivalente ao restante da carroceria, eliminando pontos potencialmente vulneráveis.

Na prática, isso muda inclusive o desenvolvimento de versões blindadas de fábrica e pode influenciar diretamente o valor final do serviço, já que adaptações estruturais tendem a ficar mais complexas.

Fim dos reparos estéticos em vidros blindados

Outro ponto importante envolve algo pouco conhecido fora do setor: a chamada reautoclavagem. Esse processo é usado atualmente para corrigir imperfeições visuais em vidros blindados, como bolhas internas ou sinais de delaminação.

O projeto propõe proibir esse tipo de intervenção.

Caso o vidro apresente qualquer desgaste estrutural ou alteração visual, a nova regra exige a substituição completa do componente, com registro e rastreabilidade do material descartado. O objetivo é impedir que reparos cosméticos escondam possíveis perdas de resistência balística ao longo do tempo.

Na prática, isso muda a lógica da manutenção. O proprietário pode enfrentar custos maiores em reparos, mas ganha previsibilidade quanto ao nível real de proteção oferecido pelo veículo.

Blindagem parcial passa a ser oficialmente regulamentada

Nem todo motorista busca proteção integral. Pensando nisso, o texto também abre espaço para a chamada blindagem parcial, modalidade que já existe no mercado, mas sem padronização clara.

Essa configuração permite proteger apenas áreas específicas do veículo — como vidros laterais, portas ou região frontal — reduzindo custos e peso adicional. Com a nova proposta, esse tipo de blindagem passa a ter regras mais transparentes.

O documento do veículo deverá indicar exatamente quais partes estão protegidas. Além disso, o interior do automóvel precisará exibir um aviso visual informando as limitações da proteção balística.

O ponto é simples: evitar que ocupantes tenham uma falsa sensação de segurança ao acreditar que o carro possui proteção total.

O impacto real para quem dirige carro blindado

Embora o projeto ainda precise passar por novas etapas legislativas antes de virar lei, o mercado já acompanha as discussões com atenção. O Brasil é um dos maiores mercados de carros blindados do mundo, impulsionado principalmente pela demanda urbana.

Na prática, as mudanças tendem a provocar três efeitos principais:

Primeiro, uma padronização maior dos processos de blindagem, reduzindo diferenças técnicas entre empresas. Segundo, aumento no controle sobre manutenção e substituição de componentes críticos. E terceiro, uma possível elevação inicial nos custos, compensada por maior confiabilidade estrutural.

Aliás, o debate também evidencia algo que o setor já discute há anos: blindagem não é apenas adicionar peso ao carro, mas integrar engenharia, estrutura e segurança ativa de forma equilibrada.

Segurança estrutural passa a ser prioridade técnica

O avanço da tecnologia automotiva trouxe veículos mais leves, com maior uso de alumínio e aços de alta resistência. Blindar esses carros exige cálculos estruturais cada vez mais precisos, principalmente em regiões superiores da carroceria.

Assim, a proposta busca alinhar a legislação ao cenário atual, onde SUVs, sedãs premium e até modelos eletrificados recebem blindagem sem comprometer dirigibilidade ou segurança dinâmica.

O projeto ainda seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça e posteriormente para votação em plenário. Só depois disso poderá avançar para o Senado e, eventualmente, tornar-se lei.

Enquanto isso, fabricantes, blindadoras e consumidores acompanham de perto. Afinal, quando a regra muda, não é só o processo que se adapta — o próprio conceito de blindagem automotiva no Brasil evolui junto.