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Novo Mercedes-Benz Classe S aposta no V8 e reforça o luxo tecnológico
Sedã de referência da marca alemã passa por atualização visual, muda a lógica das telas e surpreende ao resgatar o motor V8 em plena era do downsizing

Entrar em um Mercedes-Benz Classe S sempre foi uma experiência diferente. Não é só sobre potência ou conforto isoladamente, mas sobre a sensação de que tudo ali foi pensado alguns anos à frente do restante do mercado.
Na atualização mais recente do sedã, a marca não reinventou o carro — e nem precisava —, mas mexeu exatamente nos pontos que importam para quem escolhe um Classe S: tecnologia real, refinamento e, agora, algo que poucos esperavam ver novamente sob o capô.
Um visual que evolui sem romper com a tradição
A carroceria mantém as proporções clássicas do sedã grande, mas os detalhes denunciam que se trata de um modelo atualizado. Os novos faróis trazem assinaturas internas com pequenos “easter eggs”, um toque quase artesanal dentro de um projeto altamente tecnológico. A grade frontal cresceu e passa uma sensação de presença ainda mais imponente no trânsito.
Na traseira, as lanternas adotam um desenho que conversa diretamente com o Classe E mais recente, incorporando elementos gráficos inspirados na estrela de três pontas. A barra cromada que atravessa a tampa do porta-malas ajuda a reforçar a largura do carro e deixa o conjunto mais sofisticado sem exageros.
O interior muda — e muda bastante
Se por fora o Classe S evolui com cuidado, por dentro a mudança é mais perceptível. A antiga Hyperscreen, que unificava todas as telas sob um único vidro, deu lugar a uma abordagem mais funcional. O painel digital de 12,3 polegadas agora é independente da central multimídia vertical de 14,3 polegadas, o que melhora a leitura das informações ao volante e deixa o ambiente menos “carregado” visualmente.
O conceito chamado de Superscreen segue firme. O passageiro dianteiro conta com uma terceira tela de 12,3 polegadas, enquanto quem vai no banco traseiro encontra duas telas adicionais de 13,1 polegadas, cada uma com controles remotos destacáveis. Na prática, isso transforma o banco de trás em uma espécie de lounge móvel, onde quase tudo pode ser ajustado sem depender do motorista.
O sistema MBUX evoluiu. A interface ficou mais intuitiva e agora trabalha com inteligência artificial generativa, além de integração direta com serviços do Google. Aplicativos como YouTube rodam nativamente, sem espelhamento, algo que faz sentido em um carro pensado para ser usado também como escritório ou sala de descanso sobre rodas.
O retorno do V8 que ninguém esperava
O ponto que realmente chama atenção no novo Classe S está sob o capô. Depois de anos defendendo motores menores e eletrificação, a Mercedes-Benz surpreende ao lançar um V8 4.0 biturbo totalmente novo. No S580, esse conjunto entrega 537 cv e 76,4 kgfm de torque, números que já impressionam sozinhos.
O detalhe está no sistema híbrido leve, que adiciona 23 cv extras em momentos específicos. Na prática, isso significa respostas mais rápidas em retomadas e arrancadas suaves, mesmo com um sedã desse porte. O resultado é um 0 a 100 km/h em apenas 3,9 segundos, marca digna de esportivos bem mais compactos.
Seis cilindros ainda têm espaço — e muita força
Nem todo mundo precisa ou quer um V8, e a Mercedes sabe disso. O S500 estreia um novo motor 3.0 de seis cilindros em linha, que rende 448 cv e 61,2 kgfm. Com a função de overtoque ativada, o torque sobe para 65,2 kgfm, garantindo fôlego extra em ultrapassagens e condução em estrada.
Já o S580e, híbrido plug-in, combina esse seis cilindros com um motor elétrico para chegar a 584 cv e 76,4 kgfm. É a opção mais equilibrada para quem quer desempenho alto, mas também valoriza rodar no modo elétrico em trajetos urbanos.
Todas as versões utilizam o câmbio automático de nove marchas, que trabalha de forma quase imperceptível no uso cotidiano, reforçando a proposta de conforto absoluto do modelo.
O que o novo Classe S realmente entrega
O novo Mercedes-Benz Classe S não tenta ser revolucionário no visual nem mudar completamente sua identidade. O ponto é outro. Ele mostra que ainda há espaço para motores grandes quando a engenharia faz sentido, sem abrir mão da eletrificação. Ao mesmo tempo, refina a experiência a bordo com tecnologia que funciona de verdade, não apenas para impressionar em ficha técnica.
Para quem busca o máximo em conforto, desempenho e status, o Classe S continua sendo uma referência difícil de alcançar — agora com um V8 que devolve um pouco da alma que muitos achavam perdida no caminho da eficiência a qualquer custo.


