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Nissan Xterra 2028: volta do SUV raiz marca nova era de utilitários com chassi sobre longarinas
Marca prepara família global de SUVs e picapes robustos, com estrutura body-on-frame, para reposicionar Frontier, Pathfinder e retomar protagonismo no off-road

A Nissan iniciou um dos movimentos mais relevantes de sua história recente no segmento de utilitários esportivos. A montadora trabalha em uma reestruturação ampla de sua linha global de SUVs e picapes, com foco na volta de modelos com carroceria sobre chassi (body-on-frame), arquitetura tradicionalmente associada a robustez, durabilidade e desempenho fora de estrada. Dentro desse plano, o retorno do Nissan Xterra surge como peça-chave para recuperar identidade e ampliar presença em mercados estratégicos.
A estratégia foi apresentada durante um encontro com concessionários nos Estados Unidos e prevê crescimento significativo nas vendas locais até 2027. Entretanto, o plano vai além de metas comerciais. Ele redefine o posicionamento da marca em um segmento dominado por SUVs urbanos e eletrificados, trazendo de volta uma proposta mais técnica e aventureira.
Retorno do Nissan Xterra: mais que nostalgia, reposicionamento estratégico
O Nissan Xterra 2028 será o primeiro produto dessa nova geração de utilitários baseados em chassi. Diferentemente dos SUVs atuais com estrutura monobloco, a proposta do novo modelo é resgatar o DNA original: construção robusta, maior resistência torcional e capacidade superior para uso severo.
Essa arquitetura, compartilhada com picapes médias, permite melhor desempenho em trilhas, maior capacidade de carga e preparação para reboque mais eficiente. Assim, a Nissan pretende competir diretamente com modelos como Toyota Land Cruiser, Ford Bronco e Jeep Wrangler, que hoje concentram o público interessado em SUVs “raiz”.
Visualmente, a expectativa é de um desenho mais musculoso e funcional. Grade frontal destacada, para-lamas pronunciados, pneus de maior perfil e soluções voltadas à proteção da carroceria devem reforçar a proposta off-road. A ideia não é criar um SUV urbano com aparência aventureira, mas sim um utilitário genuinamente preparado para terrenos difíceis.
Aliás, esse movimento representa uma mudança importante na filosofia recente da marca, que vinha priorizando SUVs com foco familiar e urbano.
Nova geração de Frontier e Pathfinder na mesma base
O plano da Nissan não se limita ao retorno do Xterra. A próxima Nissan Frontier e o futuro Pathfinder também devem migrar para a nova plataforma de chassi, padronizando a base técnica global da marca.
Essa decisão traz dois benefícios claros. Primeiro, reduz custos de desenvolvimento ao compartilhar componentes estruturais, suspensão e sistemas de tração. Segundo, cria uma família coesa de veículos com proposta semelhante, fortalecendo a identidade da marca no segmento 4×4.
No caso da Frontier, a evolução deve incluir reforços estruturais, melhorias em rigidez e atualização dos sistemas de assistência ao motorista. Já o Pathfinder, tradicionalmente mais voltado ao público familiar, poderá ganhar configuração mais resistente e apta a enfrentar terrenos mais exigentes.
Essa reorganização coloca a Nissan novamente em confronto direto com marcas que hoje dominam o segmento de SUVs médios e grandes com chassi.
Tecnologia híbrida e eficiência caminham junto com robustez
Entretanto, o retorno ao chassi tradicional não significa abandono da eletrificação. Pelo contrário. A Nissan trabalha com uma estratégia dupla que combina utilitários robustos com sistemas híbridos mais eficientes.
Nos Estados Unidos, um novo Rogue e-Power já está confirmado. No Brasil, a tecnologia e-Power chega oficialmente em 2026 com o lançamento do X-Trail. Nesse sistema, o motor elétrico é responsável por tracionar as rodas, enquanto o motor a combustão atua apenas como gerador de energia.
Essa solução elimina a necessidade de recarga externa e entrega sensação de condução semelhante à de um elétrico puro, mas com autonomia ampliada. Assim, a marca consegue atender mercados emergentes onde infraestrutura de recarga ainda é limitada.
Para a futura família baseada em chassi, ainda não há confirmação oficial sobre versões híbridas. Contudo, a tendência global aponta para integração gradual de sistemas eletrificados também em veículos mais robustos.
Impacto no Brasil: o Nissan Xterra pode voltar?
O Brasil observa esse movimento com atenção. O Nissan Xterra foi produzido no Paraná entre 2003 e 2008 e construiu uma base fiel de admiradores. Sua combinação de robustez, tração 4×4 e confiabilidade mecânica ainda é lembrada por entusiastas.
Atualmente, a Nissan mantém produção da Frontier na Argentina. Caso a nova geração da picape adote a futura plataforma de chassi global, abre-se a possibilidade técnica de regionalizar também um SUV derivado dessa base.
Além disso, o segmento de SUVs médios e grandes com perfil aventureiro segue aquecido no país. Modelos como Toyota SW4 e novos concorrentes asiáticos demonstram que há demanda consistente por utilitários com capacidade off-road real.
Um novo Nissan Xterra, posicionado entre SUVs médios e grandes, poderia preencher uma lacuna no portfólio da marca e ampliar margens de lucro, especialmente se aliado a motorização eficiente e pacote tecnológico atualizado.
O que esperar do conjunto mecânico
Embora detalhes técnicos ainda não tenham sido oficialmente divulgados, a lógica da nova arquitetura indica algumas possibilidades. A base compartilhada com a próxima Frontier sugere uso de motores turbodiesel de última geração, possivelmente combinados a transmissões automáticas de múltiplas marchas e sistema de tração 4×4 com reduzida.
Suspensão com maior curso, reforços estruturais e modos de condução para diferentes tipos de terreno devem integrar o pacote. Além disso, a eletrônica embarcada tende a evoluir, incorporando assistentes de descida, controle de estabilidade adaptado ao off-road e monitoramento de terreno.
Por dentro, mesmo mantendo foco na robustez, a Nissan deve investir em acabamento mais refinado, central multimídia de última geração e conectividade ampliada. O desafio será equilibrar tecnologia com resistência estrutural.
Nova identidade para a marca
O retorno do Nissan Xterra não é apenas uma decisão de portfólio. Ele representa tentativa clara de recuperar identidade em um mercado cada vez mais competitivo. Enquanto muitas montadoras migraram totalmente para SUVs urbanos, a Nissan sinaliza que ainda há espaço para veículos com construção tradicional e vocação fora de estrada.
Aliás, ao combinar SUV raiz com tecnologia híbrida, a marca busca ocupar um território pouco explorado: utilitários robustos, mas alinhados às exigências modernas de eficiência e emissões.
Com lançamento global previsto para 2028, o novo Xterra inaugura uma fase que promete redesenhar a presença da Nissan no segmento 4×4. O mercado acompanhará de perto, especialmente em países onde tradição off-road ainda pesa na decisão de compra.

