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Chevrolet Onix Track Day estreia versão de pista com motor 1.2 turbo e câmbio manual

Ao completar um século de atuação no Brasil, a Chevrolet decidiu encerrar as comemorações de forma pouco convencional. Em vez de apenas relembrar modelos históricos, a marca apresentou um projeto que olha para frente: o Chevrolet Onix Track Day, uma interpretação radical do hatch mais vendido do país, criada exclusivamente para uso em autódromos.
Trata-se de um show car desenvolvido pela engenharia local com foco total em desempenho. Diferentemente de séries especiais com apelo visual, o Onix Track Day parte da nova geração do modelo e mergulha fundo em alterações estruturais, mecânicas e dinâmicas. O resultado é um compacto preparado para pista, com motor 1.2 turbo, câmbio manual de seis marchas e um conjunto que prioriza leveza, resposta rápida e estabilidade em curvas.
Preparação mecânica focada em desempenho
O coração do projeto é o conhecido motor 1.2 turbo de três cilindros, recalibrado para uso em circuito. A proposta não foi apenas elevar números absolutos, mas otimizar a entrega de torque em baixas e médias rotações, algo fundamental em traçados técnicos.

Além da nova calibração eletrônica, o conjunto recebeu modificações no sistema de admissão e escape, permitindo fluxo de ar mais eficiente e resposta mais direta ao acelerador. A transmissão manual de seis marchas reforça o caráter esportivo do projeto, garantindo maior controle nas trocas e melhor aproveitamento do torque.
Segundo estimativas divulgadas, o modelo é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em menos de 8 segundos. Entretanto, mais relevante do que o número isolado é o comportamento dinâmico: retomadas rápidas, consistência em frenagens e capacidade de manter ritmo constante em voltas rápidas. Em condições ideais, o hatch pode girar em Interlagos próximo da casa dos dois minutos, marca respeitável para um compacto derivado de produção.
Suspensão rebaixada e nova geometria
Para acompanhar o ganho de desempenho, o Chevrolet Onix Track Day recebeu uma preparação profunda na parte estrutural. A suspensão foi rebaixada em 100 mm, alterando significativamente o centro de gravidade. Assim, o carro ganha mais estabilidade em curvas e reduz a transferência lateral de peso.

As novas rodas, combinadas com o aumento das bitolas, ampliam a área de contato com o solo. Essa solução melhora a aderência e torna o comportamento mais previsível em mudanças rápidas de direção. Aliás, esse conjunto evidencia que o foco do projeto não está apenas em acelerar em linha reta, mas principalmente em contornar curvas com eficiência.
Redução de peso e interior funcional
Um dos pontos mais interessantes do projeto é a redução de aproximadamente 150 kg na massa total. Para alcançar esse resultado, a equipe eliminou itens de acabamento e componentes voltados ao conforto cotidiano.
A cabine foi transformada em ambiente funcional. Os bancos originais deram lugar a assentos tipo concha, acompanhados de cintos de cinco pontos. Além disso, o interior perdeu revestimentos e materiais supérfluos, estratégia comum em carros de competição. Essa combinação de alívio estrutural e rigidez aprimorada impacta diretamente na relação peso-potência e na dinâmica geral.
Design que reforça a proposta de pista
Visualmente, o modelo deixa claro que não se trata de um Onix convencional. As faixas amarelas no capô, teto e retrovisores criam identidade exclusiva. O número “100” aplicado nas portas simboliza o centenário da fabricante no país e reforça o caráter comemorativo.
O aerofólio traseiro, a menor altura em relação ao solo e as rodas exclusivas completam o conjunto. Entretanto, diferente de muitos projetos conceituais, as mudanças não são apenas estéticas. Cada elemento visual dialoga com a proposta funcional do carro.
Evolução técnica em relação ao conceito anterior
O novo Onix de pista também estabelece um paralelo interessante com o protótipo exibido há uma década. Naquela época, a preparação utilizava um motor 1.8 aspirado de 150 cv. Agora, o downsizing mostra sua eficiência com o 1.2 turbo, que entrega torque elevado em rotações mais baixas e maior eficiência energética.
Essa mudança reflete a evolução da engenharia automotiva no país. Assim, o projeto não apenas celebra o passado, mas evidencia como a tecnologia embarcada nos compactos atuais permite extrair desempenho superior de motores menores e mais leves.
